Segunda-feira, 25 de Julho de 2011

MAHABHARATA ( parte 12 )

Drona, filho de um brahmana chamado Bharadwaja, após completar seus estudos dos Vedas e Vedangas, dedicou-se à arte do arco e flecha e se tornou um grande mestre.

Drupada, filho do rei de Panchala, que era amigo de Bharadwaja, foi colega de Drona no monastério, onde cresceu uma generosa intimidade juvenil entre os dois.

Drupada, com seu entusiasmo juvenil, costumava dizer a Drona que daria metade de seu reino a ele quando ascendesse ao trono.

 Depois de sua formatura, Drona se casou com a irmã de Kripa, e tiveram um filho chamado Asvathama.

Drona tinha um apego apaixonado pela esposa e filho, e por causa deles, desejava obter fortuna, algo que nunca havia ligado antes. Quando soube
que Parashurama distribuiria sua fortuna para os brahmanas, foi primeiro
a ele. Mas era tarde demais pois Parashurama já tinha dado toda fortuna e ia se retirar na floresta. Mas, preocupado em dar algo a Drona, Parashurama se
ofereceu para ensinar-lhe o uso das armas, de que era mestre supremo.

Drona aceitou com alegria, e de grande arqueiro, que já era, passou a mestre insuperável da arte militar, digno de ser bem vindo como preceptor em qualquer principado, nesta era da guerra.

Enquanto isso, Drupada ascendeu ao trono de Panchala com a morte de seu pai.

 Com a lembrança de sua intimidade infantil e as afirmações de Drupada em querer servi-lo, até em compartilhar seu reino, Drona foi a ele com
esperança de ser tratado generosamente.

Mas encontrou um rei bem diferente do estudante. Ao se apresentar como um velho amigo, Drupada não ficou contente em vê-lo e aceitou isso como uma
presunção intolerável. Inebriado de poder e riqueza, Drupada disse: "Seu
brahmana, como ousa me chamar de velho amigo? Qual amizade pode haver
entre um rei coroado e um mendigo andarilho? Você deve ser muito tolo em
presumir que algo do passado distante possa cobrar a amizade dum rei que governa um reino.

 Como um pobre pode ser amigo duma pessoa rica, ou um rude ignorante dum professor emérito, ou um covarde dum herói? A amizade só pode existir entre iguais. Um mendigo vagabundo não pode ser amigo dum soberano". Drona foi expulso do palácio com desprezo em seus ouvidos e uma ira ardente em seu coração.

Ele fez um juramento íntimo que puniria o rei arrogante pelo seu insulto e seu repúdio às promessas sagradas da amizade infantil. Seu próximo movimento à procura de emprego foi em direção a Hastinapura, onde passou alguns dias, em retiro, na casa de seu cunhado, Kripacharya.

Certo dia, os príncipes brincavam com uma bola fora dos limites da cidade, até que num momento do jogo, a bola caiu num poço, junto com o anel de
Yudhisthira. Os príncipes foram olhar no poço e viram o anel que brilhava no
fundo através da água limpa. Mas não conseguiram tirar o anel. Entretanto, não notaram um brahmana de pele escura que estava perto e os observava com um sorriso.

"Príncipes", ele os surpreendeu, "vocês são descentes da heróica dinastia Bharata. Por que não conseguem tirar a bola, como qualquer perito no
uso de armas saberia fazer? Será que terei de fazer para vocês"?

Yudhisthira riu e disse em tom de brincadeira: "Salve brahmana, se conseguir tirar a bola, veremos que você come bem na casa de
Kripacharya". Então Drona, o brahmana forasteiro, pegou uma folha de
grama e atirou-a dentro do poço depois de recitar algumas palavras de poder para lançá-la como se fosse uma flecha.

A folha de grama disparou e fincou na bola.

 Depois, ele disparou uma sucessão de outras folhas de grama que fincavam uma na outra e formaram uma corrente, com a qual Drona recuperou a bola.

Os príncipes ficaram abismados e muito felizes, e pediram a ele para pegar o anel também. Drona pegou um arco emprestado, pôs uma flecha na corda e acertou em cheio bem no centro do anel, o ricochete da flecha atirou o anel para cima, e o brahmana o entregou ao príncipe com um sorriso.

Ao verem tudo isso, os príncipes ficaram admirados e disseram:
"Nós o saudamos, ó brahmana. Quem é você? Podemos fazer algo por você"? E prestaram reverências a ele.

Ele disse: "Salve príncipes, vão até Bhisma e saibam dele quem eu sou".

Pela descrição dada pelos príncipes, Bhisma sabia que o brahmana não poderia ser outro além do famoso mestre Drona. Ele decidiu que Drona era a pessoa adequada para ministrar a educação avançada dos Pandavas e dos Kauravas. Assim, Bhisma o recebeu com honras distintas e o contratou para ser o instrutor dos príncipes no uso das armas.

Logo que os Kauravas e os Pandavas conseguiram dominar a ciência das armas, Drona mandou Karna e Duryodhana para capturar Drupada e trazê-lo vivo, como cumprimento do dever devido a ele como mestre.

Eles foram como ordenados por ele, mas não conseguiram realizar a tarefa. Então o mestre mandou Arjuna com a mesma missão.

 Ele derrotou Drupada em batalha e o trouxe cativo junto com seus ministros para Drona.

Então Drona se dirigiu a Drupada com um sorriso: "Grande rei, não tema por sua vida. Fomos companheiros em nossa infância mas você achou melhor
esquecer isso e me desonrar. Você me disse que um rei só pode ser amigo de outro rei. Agora eu sou um rei, após conquistar seu reino. Mesmo assim pretendo recuperar minha amizade com você, por isso lhe dou metade do seu reino que se tornou meu por conquista. Seu credo é que a amizade só é possível entre iguais.
E agora somos iguais, cada um com metade do seu reino".

Drona achou que fosse uma vingança suficiente pelo insulto que sofreu, libertou Drupada e o tratou com honra.

 Assim o orgulho de Drupada foi humilhado, mas o ódio nunca é extinto com retaliação, poucas coisas são piores de tolerar do que as dores da vaidade ferida, a paixão governante da vida de Drupada se tornou seu ódio por Drona e o desejo de vingança.

O rei realizou tapasya (penitências), jejuou e fez sacrifícios a fim de obter a bênção dos deuses e ter um filho capaz de matar Drona e uma filha para casar com Arjuna.

Seus esforços foram coroados com sucesso assim nasceu Dristadyumna
que comandou o exército Pandava em Kurukshetra, e matou o até então
inconquistável Drona ajudado por uma soma de circunstâncias, e nasceu Draupadi, a esposa dos Pandavas.

publicado por Lalanesha Dasa às 17:56

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.Para melhor compreender este épico histórico, o leitor terá que seguir esta sequência abaixo!!

. MAHABHARATA ( parte 14 )

. MAHABHARATA ( parte13 )

. MAHABHARATA ( parte 12 )

. MAHABHARATA ( parte 11 )

. MAHABHARATA ( parte 10)

. MAHABHARATA ( parte 9)

. MAHABHARATA ( parte 8)

. MAHABHARATA ( parte 7)

. MAHABHARATA ( parte 6)

. MAHABHARATA ( parte 5)

. MAHABHARATA ( parte 4)

. MAHABHARATA ( parte 3)

. MAHABHARATA ( parte 2)

. MAHABHARATA ( parte 1)