Segunda-feira, 25 de Julho de 2011

MAHABHARATA ( parte 11 )

BHIMA

Os cinco filhos de Pandu e os cem filhos de Dhritarastra cresceram
com alegria e diversão em Hastinapura. Bhima excedia todos em força física. Ele costuma maltratar Duryodhana e os outros Kauravas, batia neles e os arrastava pelo cabelo.

Grande nadador, ele mergulhava, nos lagos, com um ou mais deles
imobilizados em seus braços, e ficava no fundo até eles quase se afogarem.
Quando eles subiam numa árvore, ele ficava no chão e chacoalhava a árvore até fazê-los cair como frutas maduras.

Os corpos dos filhos de Dhritarastra estavam sempre doloridos com
machucados em resultado das brincadeiras físicas de Bhima. Não é para menos que os filhos de Dhritarastra desenvolveram um ódio profundo por Bhima desde a infância.

Durante o crescimento dos príncipes, Kripacharya lhes ensinou a
arte do arco e flecha, as artes marciais e outras que os príncipes devem saber. A inveja de Duryodhana em relação a Bhima deturpou sua mente e o fez cometer muitos atos impróprios.

Duryodhana estava muito preocupado. Seu pai era cego, por isso o
reino foi governado por Pandu. Quando ele morrer, Yudhisthira, o herdeiro
legítimo, seria o rei em seguida. Duryodhana pensou que como seu pai cego era muito incapaz, tinha que prevenir a ascensão de Yudhisthira ao trono, e
idealizou um plano para matar Bhima.Ele organizou o esquema para executar sua decisão, pois achava que o poder dos Pandavas se reduziria com a morte de Bhima.Duryodhana e seus irmãos planejaram afogar Bhima no Ganges,
aprisionar Arjuna e Yudhisthira, então tomar o reino e assumirem o governo.
Assim, Duryodhana foi com seus irmãos e os Pandavas para nadarem no Ganges.

Depois das brincadeiras esportivas, eles dormiram em suas tendas,exaustos. Bhima tinha excedido mais que os outros e como sua comida foi envenenada, sentiu-se sonolento e adormeceu na margem do rio. Duryodhana o amarrou com cipós silvestres e o jogou no rio.

O malévolo Duryodhana preparou o local com vários cravos
pontiagudos implantados no leito do rio. Isso feito de propósito para que Bhima fosse empalado nos cravos ao cair no fundo, e perdesse sua vida. Felizmente, não tinha nenhum cravo no lugar onde Bhima caiu. Cobras-d'água venenosas picaram seu corpo.

O efeito do veneno que ele ingeriu com a comida foi anulado pelo veneno das serpentes e Bhima não sofreu mal nenhum, e depois, o rio o jogou de volta para a margem.

Duryodhana pensou que Bhima tinha morrido quando foi jogado no rio infestado de serpentes venenosas e cheio de cravos. Assim, ele voltou para a cidade com o resto do grupo em grande alegria.

Quando Yudhisthira perguntou sobre o paradeiro de Bhima,
Duryodhana disse que ele veio antes deles para a cidade.

Yudhisthira acreditou em Duryodhana e logo que chegou em casa,
perguntou à sua mãe se Bhima estava lá.

Sua pergunta ansiosa teve a resposta de que Bhima não tinha voltado ainda, o que fez Yudhisthira suspeitar de alguma brincadeira de mau gosto feita contra seu irmão. Então, voltou para a floresta com seus irmãos e procuraram em toda parte. Mas não conseguiram encontrar Bhima. Voltaram para casa com muita tristeza.

Algum tempo depois, Bhima acordou e caminhou vagaroso de volta
para casa. Kunti e Yudhisthira o receberam e abraçaram com muita alegria. Em conseqüência do veneno que entrou em seu organismo, Bhima ficou mais forte do que antes.

Kunti procurou Vidura e lhe contou em segredo:

"Duryodhana é mau e cruel. Ele tentou matar Bhima pois deseja
governar o reino. Estou preocupada".Vidura respondeu: "O que você disse é verdade, mas mantenha seus pensamentos para si mesma. Pois se o malévolo Duryodhana for acusado ou culpado, sua ira e ódio só aumentarão. Seus filhos são abençoados com vida longa. Você não precisa ter medo por causa disso".

Yudhisthira também avisou Bhima e disse: "Mantenha o silêncio
sobre esse assunto. De agora em diante, temos que ser cautelosos e nos cuidar, e nos proteger".

Duryodhana ficou surpreso de ver Bhima voltar vivo. Sua inveja e
ódio aumentaram. Ele lamentou profundamente e saiu a reclamar.

(KARNA)

Os Pandavas e os Kauravas aprenderam as artes militares primeiro com Kripacharya e depois com Drona.

 Certo dia, foi marcado um teste para a exibição de suas habilidades com o uso das armas na presença da família real, bem como do público que foi convidado para assistir o desempenho de seus amados príncipes. Tinha uma grande multidão muito entusiasmada.

Arjuna demonstrou habilidade sobre-humana com suas armas e o grande público ficou arrebatado com admiração e afeição. A fronte de Duryodhana ficou escura de inveja e ódio.

Perto do final do dia, ouviu-se de repente um som que vinha da entrada da arena, alto e forte como um trovão, o som produzido pelo bater de braços poderosos em desafio. Todos os olhos se voltaram para aquela direção.
Eles viram entrar através da multidão, que abriu caminho em silêncio temeroso, um jovem divino de quem parecia emanar luz e poder. Ele olhava orgulhoso em sua volta, fez um cumprimento negligente a Drona e Kripa, e andou firme em direção a Arjuna. Os irmãos, sem saberem, pela amarga ironia do destino, de seu sangue comum, estavam face a face, pois era Karna.

Karna se dirigiu a Arjuna com a voz tão profunda como um trovão
estrondoso: "Arjuna, vou demonstrar muito mais habilidade do que você".

Com a permissão de Drona, Karna, o amante da guerra, ali mesmo na frente do público, duplicou todos os feitos de Arjuna com grande facilidade. A
excitação de Duryodhana foi grande. Ele se atirou com seus braços em volta de Karna e disse: "Bem-vindo! Salve você de braços poderosos, quem a boa fortuna nos enviou. Eu e este reino dos Kurus estamos sob seu comando".

Karna disse: "Eu, Karna, sou muito grato, ó rei. Eu só desejo duas coisas, o seu amor e um combate individual com Partha (Arjuna)".

Duryodhana apertou Karna novamente contra seu peito e disse:
"Minha prosperidade é toda para o seu prazer".

Enquanto o coração de Duryodhana derramava amor, uma fúria mortal
preencheu Arjuna, que se sentiu afrontado.

 "Ó Karna, vou matá-lo imediatamente e enviá-lo para o inferno reservado aos intrusos não convidados e tagarelas inconvenientes".

Karna deu uma risada sarcástica: "Esta arena está aberta para todos, ó Arjuna, e não só para você. Poder é a sanção da soberania e a lei se baseia nisso. Mas o que adianta só falar, que é a arma dos fracos? Atire flechas
em vez de palavras".

Assim desafiado, Arjuna, com a permissão de Drona, abraçou seus
irmãos com pressa e se posicionou pronto para o combate. Enquanto Karna, deixou a companhia dos irmãos Kurus e o confrontou com a arma em punho.

Os pais divinos dos heróis tentaram encorajar sua prole e testemunhar esse combate mortal, assim Indra, o senhor das nuvens de raios, e Bhaskara, com seus raios infinitos, apareceram no céu ao mesmo tempo.

Quando viu Karna, Kunti o reconheceu como seu primeiro filho e desmaiou. Vidura pediu para as amas cuidarem dela, e assim que acordou., ficou tomada de angústia, sem saber o que fazer.

Quando estavam prestes a iniciar o combate, Kripa, conhecedor das regras de combate individual, parou entre os dois e se dirigiu a Karna:

 

"Este príncipe, que está pronto para lutar com você, é filho de Pritha e Pandu, e descendente da dinastia Kuru.

 Revele, ó de braços poderosos, sua ascendência e dinastia descendente que tornam ilustre o seu nascimento. Partha só poderá lutar com você depois de saber a sua linhagem, pois os príncipes com alto nascimento não podem entrar em combates individuais com qualquer aventureiro desconhecido".

Ao ouvir essas palavras, Karna abaixou sua cabeça como as pétalas
duma flor de lótus sob o peso da água da chuva.

Duryodhana se levantou de imediato e disse: "

Se o combate não pode acontecer só porque Karna não é um príncipe, isso pode ser solucionado facilmente. Eu corôo Karna como rei de Anga". Então, com o consentimento de Bhisma e Dhritarastra, realizou todos os ritos necessários e nomeou Karna soberano do reino de Anga, e lhe deu a coroa, as jóias e outras insígnias reais.

Naquele momento, quando o combate entre os jovens heróis parecia que ia começar, o velho cocheiro, Adhiratha, que era o pai adotivo de Karna, entrou na arena, com o bastão na mão e tremia de medo.

Logo que o viu, Karna, o recém coroado rei de Anga, abaixou sua cabeça e se ajoelhou em humildade com toda a reverência filial.

 O homem idoso o chamou de filho, abraçou-o com seus braços magros e trêmulos, e chorou de alegria com lágrimas de amor que molharam sua cabeça já úmida pela água da coroação.

Ao ver isso, Bhima bramiu uma risada alta e gritou: "Ó vejam, ele é só o filho dum cocheiro! Pegue o chicote de condutor que condiz com a sua ascendência. Você não é digno de ser morto pelas mãos de Arjuna. Nem deve governar Anga como um rei".

Com essa fala ultrajante, os lábios de Karna tremeram de angústia
e sem fala, olhou em direção ao sol poente com um profundo suspiro.

Mas Duryodhana interrompeu indignado:

"Ó Vrikodara (Bhima), você é injusto ao falar assim. O valor é a marca de um kshatriya. Nem tem sentido delinear grandes heróis e grandes rios por suas origens. Posso citar muitos exemplos de grandes personalidades de
nascimento humilde e eu sei que há dúvidas estranhas sobre a sua própria origem. Olhe para esse guerreiro, sua bela forma e porte, sua armadura e brincos, e sua habilidade com as armas. Claro que existe um mistério em relação a ele. Como pode um tigre nascer de um antílope? Você disse que ele não é digno de ser o rei de Anga? Eu acho que ele é capaz para governar o mundo inteiro".

Com uma fúria generosa, Duryodhana levou Karna em sua quadriga e partiu.

O Sol se pôs e a multidão se dispersou com tumulto. Vários grupos discutiam sob a luz de lâmpadas, alguns glorificavam Arjuna, outros, Karna, e outros ainda, Duryodhana, conforme suas predileções.

Indra previu que um combate final seria inevitável entre seu filho Arjuna e Karna.

 Assim, assumiu a forma de um brahmana e foi se encontrar com Karna, que tinha reputação de caridoso, e lhe pediu de esmola seus brincos e
armadura.

 O deus do Sol já tinha avisado Karna num sonho que Indra tentaria
enganá-lo dessa forma.

Mesmo assim, Karna não conseguia recusar nenhum presente que lhe fosse pedido.

 No mesmo instante, cortou os brincos e a armadura que nasceram com
ele e lhes deu ao brahmana.

Indra, o rei dos deuses, ficou muito surpreso e feliz. Depois de aceitar o
presente, elogiou Karna por ter feito o que ninguém mais faria, e envergonhado com generosidade, disse a Karna para pedir qualquer bênção que desejasse.

Karna respondeu: "Eu desejo obter a sua arma, a Shakti, que tem o poder de matar os inimigos". Indra concedeu a bênção, mas com uma condição
fatídica, ele disse: "Você poderá usar esta arma contra um só inimigo apenas, e ela matará quem quer que ele seja. Mas depois dessa morte, esta arma não estará mais à sua disposição e retornará a mim". Ao dizer essas palavras, Indra desapareceu.

Karna foi até Parashurama e se tornou seu discípulo pois fingiu ser um brahmana para ele. Ele aprendeu com Parashurama o mantra para usar a arma suprema conhecida como brahmastra.

Certo dia, Parashurama estava deitado com a cabeça encostada no
colo de Karna quando um verme escavador entrou dentro da coxa de Karna. Começou a sangrar e a dor era terrível. Mas Karna agüentou tudo sem mesmo tremer pois não queria perturbar o descanso de seu mestre. Parashurama acordou e viu o sangue que tinha escorrido da ferida.

Ele disse: "Caro aluno, você não é um brahmana. Só um kshatriya consegue ficar imóvel sob tortura física. Diga-me a verdade".

Karna confessou que mentiu ao se apresentar como brahmana e que de fato era filho dum cocheiro.

Parashurama com sua ira pronunciou a seguinte maldição para ele:
"Porque você enganou seu guru, a brahmastra que você aprendeu vai falhar no momento fatal. Você não será capaz de lembrar o mantra quando chegar a sua hora".

Foi por causa dessa maldição, quando entrou em crise na sua última luta com Arjuna, que Karna não conseguiu lembrar do encanto da brahmastra, apesar de ter lembrado até o momento. Karna se tornou amigo fiel de Duryodhana e permaneceu leal aos Kauravas até o fim.

Depois da morte de Bhisma e Drona, Karna se tornou o líder do exército Kaurava e lutou com muito brilho por dois dias. No fim, a roda de sua
quadriga ficou presa na lama, e teve de abandoná-la pois não conseguiu
desatolar. E nessa situação, Arjuna o matou. Kunti ficou muito amargurada, e com muito remorso por ter escondido a verdade até então.

 

publicado por Lalanesha Dasa às 13:46

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.Para melhor compreender este épico histórico, o leitor terá que seguir esta sequência abaixo!!

. MAHABHARATA ( parte 14 )

. MAHABHARATA ( parte13 )

. MAHABHARATA ( parte 12 )

. MAHABHARATA ( parte 11 )

. MAHABHARATA ( parte 10)

. MAHABHARATA ( parte 9)

. MAHABHARATA ( parte 8)

. MAHABHARATA ( parte 7)

. MAHABHARATA ( parte 6)

. MAHABHARATA ( parte 5)

. MAHABHARATA ( parte 4)

. MAHABHARATA ( parte 3)

. MAHABHARATA ( parte 2)

. MAHABHARATA ( parte 1)